Achei que sinceramente não entraria em apaixonamento novamente, que amores tranquilos surgiriam e embalariam noites silenciosas de contentamento: resignada em ser-não-ser. A tensão elétrica difusa que percorre o corpo, hora em frio hora em calor, me preocupa sobre minha fértil imaginação. Algo em mim pede abraço, os olhos tateiam cegos entre os colos disponíveis? Percebo movimentos involuntários que nunca antes houveram, mas estarei eu conduzindo os fios do meu eu-marionete? Há projeção, sem dúvidas, em múltiplas referências. O quão inexperiente posso me considerar diante das unicidades eternas? Das vontades: um relutante teatro. Até quando? Talvez para sempre, escuto em ecos. E nunca o desejo do erro foi tão quisto, o desejo da falha da falha. Que uma vez as premonições não sejam autorrealizatórias.
sábado, 3 de junho de 2023
sexta-feira, 2 de junho de 2023
As mentiras contadas a si são o pior veneno
Energia em arroubos
Pique-esconde solitário
Desejar é fraqueza?
O querer, tão querer, quase morrer
A máscara pesa, coça, novamente
O medo da falta ser mais falta
Ranger de dentes, pois há sede de mordida
quinta-feira, 1 de junho de 2023
eu xausta
Cansaço não é suficiente para descrever o molde negativo que me tornei
Do que foi ação ou resposta, será que importa?
Me vejo diante da multiplicidade de verdades, estagnada.
Um dia de cada vez, respiro. Um passo de cada vez, reflito.
Lançar-me como fúria e desejo; inconsequente.
Provar-me estrategista do mais longo jogo já vivido.
O que desejo? O que a mim mereço?
E o que fazer para não ser apenas mais um insustentável delírio?
Não há amor, mas há vontade de amar.
Não sei o que é amor, mas há vontade de descobrir.
Falta ânimo.
quarta-feira, 31 de maio de 2023
em-baralho
Das reflexões que fazemos sobre a vida e como conceitos singularmente se moldam às nossas experiências, me vejo outra vez encarando o amor e meus simbolismos:
De copas o desejo permanece.
Abnegação em espadas se justifica.
A concretude de paus nomeada em ações.
Por fim a reciprocidade em ouros.
terça-feira, 30 de maio de 2023
dear stranger
esse vazio que sou
nesse lugar que não ocupo
será que algo há?
não sinto otimismo ou verdade além das ilusões difusas que flutuam
os risos e silogismos puro reflexo em negra janela
quanta decepção existe na ausência?
medo ou inocência, vamos lá mais uma queimadura levar
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
fissura
o que se abre
perde a integridade
momento de ruptura
e o desejo incontrolável de se jogar
sábado, 30 de março de 2019
Sobre aprender a não doar o que não se tem
domingo, 13 de janeiro de 2019
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Divagações ébrias sobre desejo
Abraço a fantasia, talvez mais que a execução; circunstâncias solitárias e necessidades diversas.
Almejo corpos e companhias de tal forma que a imaginação provê além da concretude possível.
Sou eu, desejando eu, performando eu, esperando eu.
Quem será objeto refletor é acaso, escolha e impossibilidade. Afinal, melhor sonhar e sublimar em dor e prazer que pôr-se à prova e experienciar o real da falta.
Seja meu, tão eu, que não vejo outro-você.
Amém.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
um outro coração disse uma vez
a mulher
"protejes-me como uma mãe,
que em tamanho amor
cuida de sua cria,
para que não se corrompa
nas esquinas pútrefas da sociedade.
abres os meus olhos,
para que não veja, eu, apenas a dor,
o mal,
que em minha vida são tão naturais;
mostras-me as belezas,
que nunca procurei ver,
o amor,
que jamais desejei sentir.
és a mulher... "
sexta-feira, 24 de março de 2017
do real o pó
Hoje sonhei com você
E foi bom até perceber
Nada em ti me faz
São memórias de vazio
E reminiscencias de não ser
sábado, 18 de março de 2017
não repetir
Encontrei na tua língua cinzas
Acabei vomitando palavras proibidas
Fez-se incomodo e agonia
Dissipou-se em seguida
terça-feira, 14 de março de 2017
Segundo o dicionário:
Devanear, v. tr. dir. Imaginar, fantasiar, sonhar; intr. delirar; dizer ou imaginar coisas sem nexo; desvairar; tr. ind. cuidar, pensar. (De de+lat. vanu.)
Devaneio, s. m. Ato de devanear; sonho; fantasia; delírio, divagação; quimera.
Esta obra de Ariane Anaya, foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

