quinta-feira, 3 de setembro de 2015

os baixos

Das sensações de dormência que nunca somem.
Das lágrimas que secam antes de brotar.
De tudo que se verte em cansaço.
Os ciclos de nada, os momentos de vazio...
Sou a mesma, sou.
Outra, mas a mesma.

Que o frio que envolve suma no brilho do meu sol...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

sou a mesma?

sinto o mesmo?

serão ciclos?

nada muda?

EU não mudo?

sábado, 29 de agosto de 2015


Travessias impossíveis de linhas imaginárias,
Motivos vários:
Medo e conforto.
Falta de vontade de ir ao outro lado.
Não há linha a ser atravessada.

Ou, Algumas coisas apenas são.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

De "História Sem Graça"


Eu enxerguei em histórias sem graça a poesia composta por dores da rotina, declaradas como se não incomodassem. Vi emoções e sentimentos suprimidos enfim confidenciados.

A ponta do iceberg que emerge da própria noção de normalidade, exposta, enfim, tanto pelo anonimato quanto pelo tom usado – o descaso – como se não existisse tal angústia ou a vergonha intrínseca, que sente, por ser quem é.

Tão humanos; tão belos, com tanta graça...



"as vezes eu finjo que sou atriz e fico criando cenas com pessoas imagináveis e móveis do quarto"

"sempre converso com uma menininha com a qual eu namoro mas ela não sabe, ela mora muito longe então só nos falamos pelo whatsapp, hoje não falei com ela pois ela saiu, fiquei o dia todo sem falar com ninguém"

"disse a mim mesmo que hoje eu iria estudar o dia todo, mas não estudei nada. depois disse a mim que iria dormir cedo pra estudar muito amanhã, mas já é muito tarde. acho que não vou estudar amanhã de novo."

"sou chocólatra mas tenho preguiça de comprar chocolate, então compro em grandes quantidades mas como tudo de uma vez."



sábado, 11 de abril de 2015

um sorriso bobo

Trago no rosto esse sorriso, de quem se conforma com nada. 
Sorriso leve de quem nem perde, nem ganha - desistiu e apenas se propõe a ser feliz. Sozinha.
O sorriso bobo de quem está feliz com sua própria companhia.
Ou melhor, o sorriso de quem se propõe a ficar longe de você. Feliz.

sábado, 4 de abril de 2015

a sinceridade de uma conversa sem o outro

A melhor conversa que tivemos.

De minha parte - paredes são testemunhas - palavras agridoces, almiscaradas e rijas foram embaladas por lágrimas. Tristeza fazendo-se carvão, alimentando a raiva enquanto transformava-se em cinzas para a brisa levar.
Levou também as palavras, que foram curtidas por anos: hora por amor, hora por ressentimento.
Dei vazão aquilo que precisava ser dito, o necessário à sanidade e nada mais - no tênue limite entre dor e loucura.

E teus ouvidos ficaram tão agradecidos, bem sei. Não me dirás, mas foi melhor o silêncio; exaures-te tão fácil.
Palavras ditas que não foram ouvidas, para alegria da boca minha e alívio dos ouvidos teus.
Regojizas, terás tanto silêncio quanto desejar.
Será meu presente, dedicado pelo amor que ainda sigo a cultivar.

sábado, 24 de janeiro de 2015

em silêncio

    A garganta em nós para que não escapem por ali
   os gritos que se vertem em lágrimas.
   Ecoa no vazio do peito, retumba na cabeça,
   tudo que não pode ser dito em voz - para vós.
   E tal plumas cada pedaço meu chega ao chão,
   não incomodando ninguém; a brisa uma hora vai me levar.

domingo, 14 de dezembro de 2014

cabo-de-guerra

Forças opostas disputam
A vitória é o prêmio
Não há fim para a competição
Um torneio de infinitas rodadas

Não haveria disputa se a corda não fosse segurada
Sem mãos sangrando pelo atrito
Sem cansaço...
Sem conexão entre as partes
Dois estranhos sem propósito

Sendo tantas vitórias vazias e derrotas doloridas, me pergunto se realmente há outro competidor que não eu mesma.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

soulless

Antes seus olhos sem alma olhavam para dentro de si.
Procurando.
Agora seus olhos sem alma olham para o mundo.
Sugando.

Seu sorriso, suas lágrimas, cada palavra, tudo armas.
Pobre criatura. Sem alma, sem calma. Só.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

tudo que eu quis foi dizer adeus


 E nos passos descompassados de uma dança desajeitada, não percebi cruzar a tênue linha que disse jamais ultrapassar – até que a música parou.


  Sempre assim, na minha distração me deixo atingir no único ponto que não quero deixar-me ferir.
É tarde para recuar, já sangro.



domingo, 14 de setembro de 2014

sobre raiva, sem culpados


Entre minha raiva e sua raiva eu pondero.
Enquanto tiver espaço pra uns sapos;
Ainda estando com paciência a ser queimada...
Eu me submeto a ser fantoche dos seus caprichos, ou do destino.
Porém quando as proporções passam dos limites;
O cansaço ou desgaste bradam em jocosidade;
A ideia de ser egoísta não parece um fardo tão pesado assim.
Então, após chuva e tempestades solares, minhas ações não deixam espaço a interpretação.

Carrego sem culpa o saco vazio do teu desgosto comigo, pois.
E quando a tua raiva passar, avisa-me.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Só quero, então, dizer que:


Eu dei para o primeiro que apareceu, depois de você.

E foi ótimo, my friend.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Porém


Não vou ficar presa a meias palavras, meios gestos, ao abstrato.
Me recuso voltar pelos mesmos meio caminhos, ao interminável.
Não vou ficar presa às intenções, ao amanhã e esperanças.
Eu ardo no agora e me satisfaço no presente.
Meu corpo precisa de corpo.
E acha.
Em outros.

Segundo o dicionário:

Devaneador, adj. e s. m. Que, ou aquele que devaneia; sonhador.

Devanear, v. tr. dir. Imaginar, fantasiar, sonhar; intr. delirar; dizer ou imaginar coisas sem nexo; desvairar; tr. ind. cuidar, pensar. (De de+lat. vanu.)

Devaneio, s. m. Ato de devanear; sonho; fantasia; delírio, divagação; quimera.
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