segunda-feira, 10 de setembro de 2012

enquanto isso

No rosto refletido,
Pupilas dilatadas.

Boca entre aberta,
Respirar profundo.

Pulso rápido,
Mente branda.

Na ponta dos dedos a lembrança de outro coração acelerado.

domingo, 9 de setembro de 2012

sem bote salva-vidas

Mergulho.
Todo o barulho do mundo desaparece.

Tão extasiada pela sensação,
Nado cada vez mais ao fundo.
Sem abrir os olhos.

Meu corpo adormece.
Não preciso de ar.

Há fusão entre corpo e água.
Silêncio da vida.

Frio enrijece os músculos. (Mas)
Não existe o que segurar.

Aqui quero permanecer.
Sem identidade ou corpo próprio.

Paz.






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Pulmões apertam.
Olhos se abrem.
O escuro envolve.
Movimentos delicados transformam-se.
Braçadas erráticas.
O corpo grita "Não pertenço".
Quando finalmente a boca suga todo ar que é capaz...
A mente sente falta do barco abandonado.
Com sorte estará longe demais para alcança-lo.

É preciso terra; chega de ficar à deriva.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

falando o mais claro que consigo, para não ser ouvida

E num piscar de olhos aceitei o meu lugar, porque sabê-lo não significava agir de acordo.
Talvez me permita um último devaneio, porque logo já não me faltará o ar.




Sentir-se em transição; estar feliz.
Uma paixão morre para dar lugar a mais amor.
Sem passivo-agressividade, sem ciúmes, sem mil intenções.
E dói como o último suspiro antes da resignação.

Ainda há devaneios, porém em formato de 'e se', não mais ânsias frustradas.

Continuar desejando proximidade.
Entretanto sem buscar algo inexistente; contentar-se com o real.

Sermos amigos é real e feliz.

Falta  indiferença aos carinhos, portanto há cautela.
Restam planos a cumprir e certezas a ter; sem hipocrisia: pouca é a inocência, mas não há pressa por resultados, nem esperanças.
Em um ano celebrar o funeral de uma paixão necessária, mas infeliz, que por longos 8 anos assombrou com previsões fracassadas uma reciprocidade imaginária.

Que de agora em diante o ame como cúmplice, apenas, não mais como possível pretendente.
Já não posso continuar me enganando.



Seguiremos como amigos porque é a única coisa que sabemos ser.



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Parece cocaína, mas é outro pó






Eu quebrei o giz entre os dedos
É o fim de devaneios torturantes
Não mais visitas por bel-prazer e ocasião
E nada será espalhado, enterrarei nas devidas covas.




terça-feira, 31 de julho de 2012

Voa, voa, mariposa.


"-Então você diz gostar de libélulas.
-Sim, me parecem por vezes confusas, mas obstinadas em natureza.
-Prefiro mariposas.
-Mariposas? Elas são desengonçadas.
-Porém não se deixam levar por qualquer brisa.
-Gosta da resistência?
-Da cumplicidade."

(Tantas mariposas em paredes, silenciosas companhias, guardam eternamente segredos confessos sem a intenção.)

"-Xô! Xô, mariposa!"
E ela partiu pela janela para nunca voltar.





sexta-feira, 29 de junho de 2012

Metade (18.06.2012)


A mordida é incompleta:
Metade do sangue derramado é dormência;
Da vida se falta parte,
Nítida é a ausência.
Nem sempre dor é o incômodo,
Dilacerar é a rotina;
Do mastigar é melhor a privação.


E no sorriso procuram-se dentes,
Pois a boca mal aberta
Reflete apenas resignação.
A falta que o sentir faz.


O gosto não preenche;
Apenas o eco dos sabores;
Os lábios tocam, nada mais.
O que é do beijo sem sensação?
Simplesmente provar vazio,
Enquanto o peito permanece batendo;
Sem intensidade resta sobreviver.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

dos belos de coração que não me ganham

Não amo muito e adoro apenas a mim.
Mas me importam tantas pessoas quanto não é normal de ser.
Me importa cada ser belo com quem tive o prazer de cruzar o caminho.
Seja pela doçura infinda, ode a alegria, senso de justiça ou amor às coisas pequenas.
Sempre me apaixono um pouco por sorrisos estonteantes e olhares que gritam mistério.
Não amo muito, mas os que amo me preenchem.
E embora saiba admirar qualidades, elas não embevecem meu carinho.
Se de paixões sei permanecer à distância, logo murcho sem meus amores.
Portanto deixo próximos os queridos, enquanto me distraio com as belezas do mundo.
Sempre me importando, nunca necessitando.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

sendo piegas

No peito o coração pulsa.
A mente se desvia do texto.
Ligações sem retorno.
As unhas descascando a cor indefinida refletem o espírito,
Muito mais que os olhos fixos num ponto invisível.
Sorriso seco de dentes doloridos.
Azia, insônia e alergia.
Um quadro apático exposto numa parede sem reboco.
'Seja Feliz', está escrito, 'Busque seus Sonhos'.
Irônico até se tomar uma pilula para dormir.
Continua sarcástico no decorrer da vida.

Abrir o peito e deixar sangrar.
Seguir os devaneios que se possa ter.
Abraçar quem faz do abraço necessário.
Pintar-se: as unhas de animo, os olhos de calma, a boca de verdade.
Sarar as dores que a alma traz ao corpo.
Tão piegas...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

são os dias que demoram a passar

Vontade? O que é?
Nunca ouvi tal palavra, nenhum sentido me faz.


E minhas tardes são para observar o desabrochar das flores, o breve balé de folhas, a marcha das nuvens e outras coisas bonitas.

domingo, 8 de abril de 2012

Agora morra com sua hipocrisia!

É o sorriso de canto que me faz perceber:
A mensagem subentendida nada mais é que um encontro de achares.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

kind of

Quando desistir parece deitar-se na cama após um cansativo dia...
Quando sair na chuva é a unica coisa que foge a rotina...



O que esperar do sono sem sonhos?
Por que esperar pelo próximo dia?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

torto

Gostaria de vomitar todos os pensamentos caóticos que impedem minha coerência.
Não. Nada impede minha coerência, ela é meu melhor pior.
Talvez por isso prefira as metáforas e os cortes de raciocínio.
Das razões e não-soluções, não procuro; Por teu ego posso fingir.


Deixo claro que o desapego é real; quanto amor por tanta dormência.
Mas tal a carne da ferida aberta que deixa de se fazer sentir, 
Tal a ânsia que deixa de se fazer presente após o costume,
Assim como tudo que passa desapercebido por conveniência:
Eu calo.






Não há culpa, não há entendimento.
Se quer meu sorriso te darei emoldurado em lábios pintados da tua cor favorita;
Deixando os olhos fechados para não delatar a mentira.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mas amo.

E mesmo sabendo que amo, às vezes duvido.
Talvez por não querer acreditar, talvez pela dormência que me domina.
Talvez pela negação ser tão mais fácil de conviver.


E mesmo sabendo que amo, às vezes gostaria de não amar.
Talvez por desejar independência, talvez por sentir o peito tão pesado.
Talvez pela satisfação em não se decepcionar.


Mas amo.
Não há muito o que fazer sobre isso.

Segundo o dicionário:

Devaneador, adj. e s. m. Que, ou aquele que devaneia; sonhador.

Devanear, v. tr. dir. Imaginar, fantasiar, sonhar; intr. delirar; dizer ou imaginar coisas sem nexo; desvairar; tr. ind. cuidar, pensar. (De de+lat. vanu.)

Devaneio, s. m. Ato de devanear; sonho; fantasia; delírio, divagação; quimera.
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