domingo, 27 de setembro de 2009

:-/

E eu que gostaria de postar ao menos dez vezes por mês, agora tento espremer paciência para ligar o computador.

Não é fase ruim, só o tempo sempre curto e escorrregadio.

Cabeça latejante e olhos ardentes; por que diabos osmose não se aplica a outras coisas?

Já que nenhuma música me acalma, com licença, estou indo me enterrar na cama.

sábado, 26 de setembro de 2009

trash

Dor de cabeça, insônia, oscilações de peso, humor inconstante.

Qual era o problema mesmo?

domingo, 13 de setembro de 2009

hospício - XXXIV

Sinto que me observam, minha nuca queima como se houvesse caido ácido nela, isso não pode me impedir.

Corro pelos corredores tentando achar uma saída que parece inexistente. Entro e saio de salas; tudo é muito parecido, às vezes penso andar em círculo. Uso uma estratégia que lembra Teseu em seu labirinto. Poucas vezes volto a encontrar as manchas vermelhas, entretanto aindo continuo dentro do prédio. Isso me irrita.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ancípite


Caminho na calçada de uma rua pouco iluminada. Escuto apenas passos e barulho de chaves, todos meus. Abro um portão que range; aperto o interfone que apita; pressiono o botão do elevador, mas acabo subindo pela escadaria. Prefiro ouvir passos e tilintar de chaves por algum tempo mais. Dois cliques e estou em casa.

Chaveiro em cima da mesa, bolsa no sofá, sapatos ao lado da porta e calça pendurada na cadeira. Janela aberta, cabelo solto e uma luz acesa. Barulho abafado de armário, som estridente de água em metal, zunido elétrico do fogão seguido de um plof do gás incendiando. Tinir de vidro ao fechar a geladeira, xícara com cinco colheres de café solúvel. Segunda luz acesa, roupas no chão do banheiro, água fria nos ombros, sabão cobrindo pele, xampu e cabelo. Toalha agora úmida, cortina aberta, nudez coberta, banheiro volta ao breu. Água fervente engolida pela xícara.

Vou até a bolsa, pego cigarros e isqueiro, volto ao café, coloco tudo no peitoril da janela. Por um momento estico o pescoço e observo os dois palmos de céu que a muralha de prédios a minha frente não conseguiu esconder. Antes de bebericar da xícara avalio o líquido negro fumegante. Essa noite não merece café, não seu sabor, um pouco de seu cheiro apenas. Da cozinha levo um copo com gelo até o minibar e apago a última luz; conhaque combina com meu humor ou sua falta.


Talvez não haja bebida que combine mais com seu teor alcoólico. Ah! O conhaque. Nem que soe tão sugestiva. Sua articulação traz implícito o ato de sorvê-la. A primeira sílaba e a primeira impressão, o líquido passa dos lábios e acumula-se em pequena quantidade na boca. Seguindo a pronúncia saboreia-se deslizando o sumo por toda extensão da língua. Para terminar, o engolir sucedido da expiração em deleite.


Retorno à janela. Próximo à quina direita há o café, no oposto o copo com gelo e álcool, exatamente no meio o maço aberto de cigarros com o isqueiro sobre ele. Os cotovelos estão no peitoril, formando um triângulo onde o vértice composto pelas mãos apoiam meu queixo. O quadro está pintado e sobra tempo para desfazê-lo.

Sem pressa examino as janelas que tomam o lugar do horizonte. A maior parte está apagada, algumas aparentam caleidoscópios refratando o colorido de televisões ou luminárias. Existem as que deixam transparecer sombras imóveis nas paredes, podendo ser computadores ou aquários, não importa a fonte o interessante são as sombras. Poucas trazem quadros que não sejam etéreos, como uma onde mostra um homem carregando um bebê de um lado para o outro, ou a que mostra dois idosos dançando. Vez por outra se acendem luzes de corredores e banheiros, poucas delas iluminam por muito tempo. Imagino que as não apagadas devem confortar alguma criança com medo de escuro. Embora em minha opinião não haja escuridão nessa cidade além da transportada pelas almas.

Um pouco desgastada de absorver tantos detalhes foco meus olhos na janela em frente a minha e tenho a surpresa agradável de ver-me refletida, mesmo que tenuamente. A xícara branca traz coloração marrom amarela, o copo é uma mancha luminescente, resolvo finalmente acender o primeiro cigarro da noite e um ponto avermelhado começa a compor a imagem. Uma tragada e lanço a fumaça para fora, ela não é perceptível em minha projeção. De meu corpo é visível ombros, braços, parte do colo e a cabeça, todo mais está engolido pelo preto. Rio com o pensamento de um humano composto apenas pelo que vejo agora, talvez seja um tanto sádico esse humor, mas encaixa-se perfeitamente com o ambiente. Talvez nem seja humor; prefiro bebericar o conhaque e esvaziar a mente, não quero destrinchar pensamentos. Volto a observar e fazer colocações mentais despretensiosas.


Passa-se tempo, minutos e horas. Alguns cigarros jazem no pires do café intocado. O copo tem um dedo de gelo derretido. Não há sono, porém tédio. Em breve o sol clareará o azul do céu e as responsabilidades serão jogadas em meus ombros, agora um pouco tensos pelas perspectiva e noite insone. Penso, antes de afastar-me da janela, que gostaria muito de poder ver o nascer do sol com todos os seus nuances mutáveis. Guardo e limpo tudo. Entro novamente no chuveiro. Preparo-me mentalmente para os sorrisos que darei depois que cruzar a porta do apartamento e durante toda minha estadia longe dele.

Ancípite, adj. 2 gên. (poét.) Que tem duas cabeças ou duas faces; de dois gumes; incerto. duvidoso, vacilante; (gram.) diz-se das consoantes l e r (Do lat. ancipite.)

domingo, 6 de setembro de 2009

hospício - XXXIX

Meu peito anestesiado influi nos olhos secos. Por mais agústiada, haverá esse vazio que impede a existência das lágrimas.

Tenho a impressão de tremer como uma criança, mas meu corpo permance rígido; crio forças para continuar. O corpo ensinando a mente. Caminho até o centro do escritório e giro trezentos e sessenta graus, observando cada nuance. Meu olhar fulmina uma cortina, provavelmente há uma janela ali.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

hospício - LVII

Gostaria de abraçar alguém e parar de sentir essa dormência incômoda no peito.

No quarto havia tentado algumas vezes enrolar-se com vários lençóis. Ficou aquecida, mas não o suficiente, nunca o suficiente. Agora é tarde para queixar-se sobre um lençol a mais.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

out


E chega setembro, pois é acabado agosto. Foi bom mês, o pobrezinho.
Agora não é esperada a alegria, se vier não existirá reclamações.
Deixemos o tempo passar devagar entre cada célula, absorvendo-o, em vez de apenas observá-lo escorrer dentre nossas pontas de dedos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

quem sabe das minhas janelas?

Falar de janelas, de como o tempo passa. Sobre o calor agradável e o frio cômodo. A tinta usada espalhando-se entre papéis e vento, este carrega também pensamentos e não deixa-os retornar. Assim como a água que faz idéias fluírem, desembocando-as em ralos e bueiros, diluindo-as, consumindo-as, afogando-as.
Num copo trazer medidas iguais de tédio, compreensão e alegria. Talvez um cigarro, uma injeção e um comprimido fossem solução para problemas, entretanto, quantos mais trazem?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dialógos e lacunas (talvez)

Um telefone toca algumas vezes antes de um homem atendê-lo.

-Alô?
-Oi, sou eu, fala uma voz feminina e conhecida.
-Hm. Diga.
-Já sabe que vou fazer uma macarronada?
-Ouvi algo do tipo.
-Pois é alguns amigos pediram e vou fazer.
-Quando será?
-Ah. Ainda não marquei o dia exato, tô meio sem grana. São as trevas, ela ri.
-Sei.
-Por falar em trevas de onde estou posso vê-la, bem hipnotizante se quer saber.
-Como assim?, ri nervosamente.
-Entenda de todas as maneiras possíveis e nenhuma estará errada. Mas falo da minha janela, não consigo enxergar nada através dela, uma escuridão total.
-Ah. Certo, ele não havia pensado em nada.
-É um marco se quer saber, afinal na maior parte das vezes o que digo tem um significado bem específico. Mesmo que dê margem a inúmeras interpretações.
-Sempre e sempre, amém.

Breve silêncio. Ela pergunta:
-Como está a sua mãe?
-Bem de forma geral, tem gastado mais dinheiro com rémedios agora que descobriu ter reumatismo.
-Hm. Espero que ela melhore, a minha 'tá viciada no joguinho do celular. Consigo ouvir o barulho que vem do quarto ao lado... Meu irmão teve uma crise histérica hoje.
-Como foi isso?, interroga instantaneamente.
-Ele tinha comprado... Eu sei que você não quer ouvir tudo. Ele apenas enlouqueceu. Minha mãe conseguiu acalmá-lo prometendo pizza.
-Ele não vai crescer nunca...
-Pois é... Você já provou da pizza de cheddar que vende perto da prefeitura?, questiona com certa animação.
-É meu sabor favorito de lá, diz entediado.
-Muito bom, não é? Mas só consegui comer uma fatia.
-Aguento umas três ou quatro, não como muito.
-Eu não consegui comer mais porque já tinha comido alguns biscoitos, balas e tomado refrigerante.
-Entendo. Seu regime desmoronou mesmo.
-É. Se chama depressão mais casa da mãe. Sempre me fodo nesse negócio, resmunga.
-É... Também não estou numa fase muito boa, fala indiferente.
-Mas falo a verdade. Quando estava depressiva no apartamento não queria sair para comprar comida então ficava uns dois dias comendo do pouco que tinha na geladeira. Na casa da minha madrasta era ainda melhor porque eu nem saia do quarto, mas aqui minha mãe faz questão de encher a porra da geladeira. No seu caso não tem o que se preocupar, vai passar logo. Sua intensidade permite você a gozar das coisas mais facilmente.
-De fato. Quanto a isso eu nem mesmo posso discordar.
-Bom você concordar comigo de vez em quando.
-É.

Silêncio. Ela interrompe brusca:
-Porra! O pessoal fica me cobrando macarronada. Não quero fazer não. Nem queria sair de casa esses dias, pra falar a verdade, termina num murmúrio.
-Você não precisa sair de casa pra fazer macarronada, é só uma dica. Se quiser podíamos marcar um dia que sua familia não estivesse, pra nós dois.
-Nem vai ter mais esse dia... Aconteceu quinta, agora só próximo mês, meu irmão terá uma consulta. E eu teria que ir comprar o material de todo jeito, fala de forma vaga.
-Cacete. Você tá mal mesmo, ele diz sério.
-Já tinha dito. Só não estou pior porque naquele dia falei minhas, como vocês chamaram?, "merdas". Queria beber de novo, mas sei que já não seria esse tipo de libertação que aconteceria, e também percebi que o meu público tem que ser outro. Embora eu não saiba exatamente qual deveria ser, ela ri nervosamente.
-Enfim... Acho que você deveria tomar algum calmante antidepressivo. Tem uns naturais que são legais.
-Não gosto de remédios, você sabe.
-Eu tô tomando um que é natural e sem contra-indicações. É bom ele.
-Essas coisas viciam, por mais naturais que sejam. Eu já não vivo sem açúcar, quero mais depender de nada não.
-Entendo. Tenho que desligar.
-Certo, tchau.

Ele desliga e vai até o cômodo onde um homem aguarda, visivelmente aborrecido.
-Quem era no telefone?
-Uma amiga.
-Amiga?
-Aquela que te apresentei, do macarrão.
-Sei... O que queria?
-Avisar que em breve terá uma reunião de amigos na casa dela.
-Esse tempo todo só pra isso? Quando vai ser?
-Ela não disse, e também falou umas bobagens sobre estar mal, nada sério. Esqueça isso...

Ela encara o telefone e pouco depois leva o olhar ao pulso ensanguentado, talvez devesse ter comentado sobre isso. De toda forma seria apenas mais um problema, ele devia estar ocupado, afinal desligou com tanta pressa... Talvez devesse ligar novamente e dizer que havia bebido um pouco e que mesmo não gostando de remédios tomou uma cartela de um calmante comprado numa farmácia ilegal. Não importa agora. Sente os olhos pesados, talvez se acordar marque um dia para a macarronada.

-Apenas a macarronada é biográfica. ^^
Motivos e inspirações? Achei que seria irônica essa situação.

sábado, 22 de agosto de 2009

re-sumo

Eu: Particula egoísta.
Umbigo: Mundo próprio.
Ar: Ambiente semi-invisível.
Atmosfera: Ambiente onírico.
Água: Lugar silencioso.
Mar: Palácio discreto.
Vento: Respiração da Terra.
Sentimentos: Química.
Caráter: Ilusão social.
Quem: Outro.
Inconsciente: Desculpa.

nada e tudo são palavras muito fortes;
dizer que o tempo apaga é quase hipocrisia.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

imbecilidades e frustração

O que devo pensar de um mundo aparentemente perfeito que abriga animais organizados em sociedades que o destroem? Algumas dessas tentam limitar meus pensamentos. Já não basta a falta de conhecimento vinda do útero? Devo apenas fingir que as coisas acontecem porque acontecem e sorrir alienada?


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

hospício - II

A primeira coisa que vem à minha mente é branco, total e cegante branco. Depois formam-se três linhas e um retângulo iluminado.

Não lembro qual é exatamente meu nome, quanto tempo estou aqui ou onde fica. Tenho a opinião de que
se não lembro não é importante.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

dance



Sorriso. Transe e êxtase. O corpo balançava em ritmo frenético. As luzes compunham o ambiente de forma psicodélica. A música preenchia os pensamentos, extinguindo-os... Todos os movimentos eram involuntários.
Houve somente a decisão de ir ao lugar, o resto seguia como efeito colateral. Pessoas esbarravam. O mundo rodopiava junto consigo. Ar quente e escasso. Garganta seca; a voz rouca grita num ápice de excitação, sem motivos exatos. Talvez tudo fosse um delírio, mas não importava.

Segundo o dicionário:

Devaneador, adj. e s. m. Que, ou aquele que devaneia; sonhador.

Devanear, v. tr. dir. Imaginar, fantasiar, sonhar; intr. delirar; dizer ou imaginar coisas sem nexo; desvairar; tr. ind. cuidar, pensar. (De de+lat. vanu.)

Devaneio, s. m. Ato de devanear; sonho; fantasia; delírio, divagação; quimera.
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