domingo, 5 de março de 2017

eleanor rigby

"All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?
Ah, look at all the lonely people"
The Beatles - Eleanor Rigby


Conheci algumas pessoas solitárias que nada tinham de sozinhas.
Não você.

quinta-feira, 2 de março de 2017

de

Entre nós existe um infinito
Não há pressa em preenchê-lo





Do que hoje não precisa ser dito,
O silêncio basta e o entendimento se faz.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

carnaval


Vibrações percorrem o corpo
Cansaço e satisfação
Confete e purpurina
O calor emana, abraça e dispersa
Ao som de bandinhas bate o coração




terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Agora consigo finalmente jogar outra coisa



I

Cartas na mesa;
O jogo acabou;
Não há vencedor.


II


Eu fui conforto;
Assim como você.
Isso nunca bastou.
Obrigado.


III

Que posso dizer dessa jornada? 
Anos de angústia e deleite...
Amei.


IV

Das suas desculpas você tem que se convencer.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

anunciado



Disse uma vez,
Não sou boa em manter relacionamentos antigos.
Acho que agora você acredita.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

arroto

O cansaço se estabeleceu

O que um dia houve

as ramas secaram

ligações rompidas

doloroso, vivo, pulsante, gritante

desfez-se em lascas e pó

da cicatriz não há dor ou amor

desentrelaçado

só paz


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

enamorados por uma noite



Só risos
Entrebeijos

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Senhor nunca o amei


Entendo agora

Sempre foi buraco, vazio
O desespero era real, 
não o amor.
Porque sou presa no meu egoísmo.
Meu olhos são espelhos virados a mim
e desejo
e almejo
e só vejo
m(eu)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

exasperadamente


Fugir não é uma opção
Presa em ser

No poço em que me encontro,
mergulhada na áspera dormência,
vejo tremeluzente um fio.

Não é possível alcança-lo,
impedida pela escuridão que envolve,
mas ó quanta graça ao debater-me
e o fio bailar um  tanto mais.

Esqueço o frio por um momento
esqueço a falta de ar.
Os olhos presos na dança sem ritmo
daquele risco de mim a zombar.



domingo, 6 de março de 2016

Histórinha para não dormir


Há um monstro.
Não acredite naqueles que dizem o contrário.
Há um monstro e como monstro ele é mau.
Sua feiúra vem da sua maldade, não da aparência, que pode exalar inocência. O maior erro é acreditar na inocência que os olhos vêem, ignorando o gosto amargo que lhe sobe a garganta ao encarar tal criatura.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Meninas e Meninos


   A cozinha pequena estava enevoada pelos vapores das panelas que borbulhavam e chiavam no preparo do almoço. A moça que ali se encontrava seguia cantarolando mesmo com os respingos de óleo, ela havia sorrido enquanto cortava as cebolas e desta vez não se incomodou com a gordura que ensebava sua mão. Hoje, sete de março, era seu aniversário.
   Nas folhas abarrotadas do diário que guarda embaixo do colchão rabiscou planos e expectativas para essa data, esperava que seu namoro finalmente virasse noivado. Ela, Ana das Graças, se tornaria Ana Peixoto ainda esse ano, escreveu com caligrafia redonda e floreada.
   Do outro lado da cidade Marcos Peixoto esbravejava maldições a todos os santos e demônios porque seguia perdendo no dominó. Depois que metade do seu dinheiro pagou as apostas e o resto foi bebido em cachaça levantou-se cambaleante do banquinho. 
   Ou me rogaram praga ou esse jogo está roubado, vou me benzer e da próxima trazer a peixeira. Após suas ameaças costumeiras ele saiu do Clube Gávea trôpego, era frequentador assíduo, mas acima de tudo um homem de rotina. Nunca lembrava de passar pela igreja e pedir a benção e a peixeira ficava esquecida atrás da porta. Anunciou com xingamentos a chegada em casa ao tropeçar no tapete da sala. 
   Menino, vai comer para esse álcool sair. Marcos ignorou a mãe e seguiu direto para o quarto, deitou sem se dar ao trabalho de tirar os sapatos. Hoje em nenhum momento falou o nome da namorada.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Malandro em Primeira Pessoa


  Já estava escuro há algumas horas quando começou a chover. Numa esquina mal iluminada por pálido amarelo, me abriguei encostado numa ombreira à espera de um estio para que pudesse seguir caminho, estou fumando o terceiro cigarro e abandono qualquer esperança de chegar ao meu destino. O beiral não é grande o suficiente e os respingos de chuva mancham a barra da minha calça de modo que é melhor visitar Madame Hilda Venturini quando estiver mais alinhado. Não poderia caminhar por seu piso de mármore sem que meu reflexo nele me mostrasse impecável, afinal boa aparência é uma das poucas coisas que me restou e para mendigar desmazelado já existe plena concorrência. Não querendo desperdiçar o paletó branco decido me dirigir a um botequim, passei pela frente de um às pressas enquanto previa a chuva. A mim, Cássio Amarante, nenhum bar ou boteco passa despercebido.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Entrelaços


O dia estava nublado, mas não havia sinais de chuva. No caminho de terra que conectava a escola ao riacho uma menina andava de cabeça baixa chutando as pedrinhas que apareciam em sua frente, cada passo levantava uma pequena nuvem de poeira e seus sapatos de boneca já perdiam o brilho da graxa preta. De vestido cinza chumbo, blusa branca e cabelo metade trançado, ela trazia apertado em sua mão um pedaço de fita amarela.
- Maria! - gritou ainda de longe a menina de cabelos soltos e mesmas vestes que esbaforida estava correndo ao seu encontro. Tropeçou numa das pedras que foram movidas por Maria, mas nem assim conseguiu a atenção da outra. Levantou-se tão depressa quanto caiu nem se prestando ao trabalho de espanar a poeira do vestido, de faces vermelhas e cabelos agora desgrenhados tocou no ombro de Maria antes de chama-la mais uma vez.

- Cecília, o que faz aqui?
Antes de responder Maria, Cecília abriu um sorriso e mostrou duas fitas brancas.
- Vamos praticar como trançar juntas. A professora não vai se importar com a cor da fita se a trança estiver perfeita.

Segundo o dicionário:

Devaneador, adj. e s. m. Que, ou aquele que devaneia; sonhador.

Devanear, v. tr. dir. Imaginar, fantasiar, sonhar; intr. delirar; dizer ou imaginar coisas sem nexo; desvairar; tr. ind. cuidar, pensar. (De de+lat. vanu.)

Devaneio, s. m. Ato de devanear; sonho; fantasia; delírio, divagação; quimera.
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