quinta-feira, 16 de maio de 2013

caso descauso


Das desculpas que dou,
Pela verdade que não digo.
Entender os motivos é desimportante.
Aceitar o silêncio do não dito,
Pelo conforto da mudez cúmplice.

Afinal a sutileza do óbvio é melhor apreciada em certezas não confirmadas.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

cabeça cheia, estômago vazio


Tanta náusea que já confunde-me a razão
Ignorando as dores, com lábios fechados - pura precaução

Dando passos a esmo,
Por ruas em breve nostálgicas.

terça-feira, 14 de maio de 2013

palpável na condição de etéreo


olhos poéticos por causa da cortina de garoa e luz sépia




Nas veias da cidade
Em plena madrugada
Vê-se o que desejar
Restaurantes, lixo, crianças
Quadras, marquises, outdoors
Prostitutas, diversão e bêbados
À escolha.

-De escudo uma coluna de fumaça

sexta-feira, 3 de maio de 2013

erapara



A fascinação é farsa. O transe é dispersão.
O tédio que impregna tudo que toco cria necessidades que a nenhum outro seriam.
O não envolver-se é mentira.
O descaso proposital é fantasia.
Apenas o desespero e a solidão habitam o mundo que governo. Todo o resto são sombras da imaginação.

E essa vontade de morrer?
E essa angústia em viver?


-2010
Revirando a Caixa de Pandora
Encontro as dores que deixei
Já não atingem, mas refletem
Há motivos para o ostracismo
Hora de prendê-las novamente

domingo, 21 de abril de 2013

enganações

Teias de sangue
Veias de piche


Qual máscara usar?



Fujam! Fujam!
Quando os dentes aparecem a mordida está próxima.

sábado, 20 de abril de 2013

difusão


O que fazer com o antes dirigido?
Disperso.
E lidar com o já não recebido?
Disperso.





Dôo a cada brisa.
Importa-me dos raios de sol às gotas de chuva.
Em frio e calor: sorrio.



E mesmo no desperdício em manter tal lugar vazio,
Com o foco embaçado pelas lágrimas que nunca cairam...
Com as lentes arranhadas pelas cicatrizes acumuladas...
Nada resta a fazer, senão procurar outro amor dentre as folhas e joaninhas.




a falta não é sentida, mas é transbordar
admiro o novo espaço, pensando no que será


quinta-feira, 18 de abril de 2013

(ab)ando.no



Pois um quebra-cabeças de vinte peças não é suficiente para montar toda a imagem.
E a figura entrelaçadamente incompleta, pede uma sequência que nunca será alcançada.
Sem companhia no encaixar, sobra ao tédio o papel de preencher os espaços.
Que fique para trás, a caixa já vazia, as cinzas e a vontade.


As borbulhas não combinam com a dança éterea.
Já é o bastante o sufocar em existir.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Quando os olhos pintados não disfarçam



Nos lábios, duvidam da origem do vermelho...
Pois dentes tão limpos desacreditam a mordida,
Mas o cheiro exala todas as respostas.
Crês no instinto e não serás vítima.


Saber da intenção não lhe salva do perigo.
Cuidado, o ardil tem forma única.
Como teia, suave e translúcida.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Não é vontade


É súbito.
Sufocante.
A impotência pela angústia.

Arranharia o peito por dentro
(se pudesse)
Tentando desgrudar esse visco
(Esse vício)
de saudade amarga.
(cíclico)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

quando você tem problemas



Eu mostro minha face, mas já não importa.
Abro meu peito: você apenas olha.
Vomito os significados, ainda sem resposta.

Ao menos...

Ao menos...

Não houve grito de horror, expressão de asco ou virar de costas.

Assentir mudo, desviar de olhos e um pouco mais de silêncio.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A Morte do Valete de Ouros


As preces utópicas cessaram.
Sem súplicas, findou o amor.
Não há perda se ninguém procura.
Essa é a obviedade que rege o túmulo.



O lamento pelo feliz passado é substituído pelo alívio do presente liberto.
Não me atenho em grilhões de egoísmo alheio.

O desvínculo da unidade aconteceu em silêncio.


Estás morto, não me assombra, mas permaneces vagando tal zumbi.

Do que foi, a lápide me é o bastante para lembrar.
Seja isso, não passe disso.

terça-feira, 26 de março de 2013

... já que as palavras se perdem.



O coração perdeu o tom
A valsa desfaz-se
Da composição em tríade mal sobra o ritmo.

A boca seca por lamber feridas,
Dona de sorrisos tortos pelos infortúnios da vida,
Já não assovia tentando recuperar o passo,
Pois o ar se perde dentre os lábios rachados.

Da cor amarga que cerca
Da fonte venenosa que brota
Dos campos inférteis que sustentam
Renascerá.


domingo, 24 de março de 2013

antes de falar...



Com tantos caminhos cruzados,
Nessa vida de amores mal pagos,
Surgem sorrisos involuntários 
- Nada que fosse esperado.

Seja lá o que for,
Mas que seja.
Que persista.

A música que toca pode não ser ouvida
Mas será vivida, será comida -
Nova fonte de energia.

Desejo apenas que não seja resumo, prévia ou aborto.

Segundo o dicionário:

Devaneador, adj. e s. m. Que, ou aquele que devaneia; sonhador.

Devanear, v. tr. dir. Imaginar, fantasiar, sonhar; intr. delirar; dizer ou imaginar coisas sem nexo; desvairar; tr. ind. cuidar, pensar. (De de+lat. vanu.)

Devaneio, s. m. Ato de devanear; sonho; fantasia; delírio, divagação; quimera.
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