quinta-feira, 18 de abril de 2013

(ab)ando.no



Pois um quebra-cabeças de vinte peças não é suficiente para montar toda a imagem.
E a figura entrelaçadamente incompleta, pede uma sequência que nunca será alcançada.
Sem companhia no encaixar, sobra ao tédio o papel de preencher os espaços.
Que fique para trás, a caixa já vazia, as cinzas e a vontade.


As borbulhas não combinam com a dança éterea.
Já é o bastante o sufocar em existir.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Quando os olhos pintados não disfarçam



Nos lábios, duvidam da origem do vermelho...
Pois dentes tão limpos desacreditam a mordida,
Mas o cheiro exala todas as respostas.
Crês no instinto e não serás vítima.


Saber da intenção não lhe salva do perigo.
Cuidado, o ardil tem forma única.
Como teia, suave e translúcida.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Não é vontade


É súbito.
Sufocante.
A impotência pela angústia.

Arranharia o peito por dentro
(se pudesse)
Tentando desgrudar esse visco
(Esse vício)
de saudade amarga.
(cíclico)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

quando você tem problemas



Eu mostro minha face, mas já não importa.
Abro meu peito: você apenas olha.
Vomito os significados, ainda sem resposta.

Ao menos...

Ao menos...

Não houve grito de horror, expressão de asco ou virar de costas.

Assentir mudo, desviar de olhos e um pouco mais de silêncio.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A Morte do Valete de Ouros


As preces utópicas cessaram.
Sem súplicas, findou o amor.
Não há perda se ninguém procura.
Essa é a obviedade que rege o túmulo.



O lamento pelo feliz passado é substituído pelo alívio do presente liberto.
Não me atenho em grilhões de egoísmo alheio.

O desvínculo da unidade aconteceu em silêncio.


Estás morto, não me assombra, mas permaneces vagando tal zumbi.

Do que foi, a lápide me é o bastante para lembrar.
Seja isso, não passe disso.

terça-feira, 26 de março de 2013

... já que as palavras se perdem.



O coração perdeu o tom
A valsa desfaz-se
Da composição em tríade mal sobra o ritmo.

A boca seca por lamber feridas,
Dona de sorrisos tortos pelos infortúnios da vida,
Já não assovia tentando recuperar o passo,
Pois o ar se perde dentre os lábios rachados.

Da cor amarga que cerca
Da fonte venenosa que brota
Dos campos inférteis que sustentam
Renascerá.


domingo, 24 de março de 2013

antes de falar...



Com tantos caminhos cruzados,
Nessa vida de amores mal pagos,
Surgem sorrisos involuntários 
- Nada que fosse esperado.

Seja lá o que for,
Mas que seja.
Que persista.

A música que toca pode não ser ouvida
Mas será vivida, será comida -
Nova fonte de energia.

Desejo apenas que não seja resumo, prévia ou aborto.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

minha teia



Sorrirei exalando meu veneno
Com um abraço sugarei tua energia
Um ritual em que minha presa é distraída.

Em gesto simples entrego nas tuas mãos a lâmina que te fará sangrar.
Aceito-te e teus defeitos porque na tua dormência lhe farei sangrar.

Como vórtice, absorvo
Dentro de mim passa a ser
Mas agora meu veneno destrói o que um dia foi alheio
Rompidos os laços, cicatrizes amostra
Devolverei em dor, ressaca.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

closure (ou Adeus Fim do Mundo)


O tempo se fez presente, feridas se curaram
O sorriso é reflexo.

Das rotinas refeitas em não-rotinas.
Dos devaneios (re)compartilhados.
Do amor sem dor, ainda mais amor.

Sem teto de vidro e chão de ovos.
Sem orgulho, medo e ilusões.
Sem planos, mapas e guias.


Amemos, Amém.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

∞ - parte (ou Prólogo)




O infinito passa a se resumir,
É triste notar a ausência,
Mais triste o não importar.
Desfeita a unidade.
Teus risos me soam mal,
Minha companhia é disfarce à solidão.
Quem me prezava morreu
E não há luto.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Eco no Oco


Quem é você, menino?
Para estar tão orgulhoso por isso,
Algo tão pequeno e mesquinho...

Essa intoxicação vai passar

E não ache minha a culpa pela SUA mágoa da realidade,
Ou o faça se quiser,

Mas quem avisa amigo é
- E ainda tenho outros carnavais a brincar.

...


Ao olhar essa figura que deveria ser humano, mas só resta bicho, me pergunto: Quem era você, menino?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

procedimento


Abrir o peito, cuidadosamente - aplicando a força necessária - arrancar o coração e depositá-lo numa jarra. Lacrar bem.
Esquecer de sua existência e seguir sorrindo pelo mundo.


"Parece estranha a garota..."
"Bobagem; continua a mesma."

"Mas... Tem algo nos olhos..."
"Como reparar em contraste ao brilho dos dentes?"

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

re-signo


Calei, por cansaço e tendo aprendido
Pois os lábios podem ser contraditos
E o fôlego é pouco para retratações.
Surda estou, aos meus próprios impétuos
Afinal o que é a negação alheia comparada a própria?


Cega fico aos antigos caminhos que insistem sob os mesmos espinhos reabrir as chagas mal cicatrizadas




Segundo o dicionário:

Devaneador, adj. e s. m. Que, ou aquele que devaneia; sonhador.

Devanear, v. tr. dir. Imaginar, fantasiar, sonhar; intr. delirar; dizer ou imaginar coisas sem nexo; desvairar; tr. ind. cuidar, pensar. (De de+lat. vanu.)

Devaneio, s. m. Ato de devanear; sonho; fantasia; delírio, divagação; quimera.
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