domingo, 5 de outubro de 2008

máximo-mínimo

Do que tenho medo, do que não.
O que causo, o que não.

Sono preenche minhas pálpebras.

Percebo agora o quanto fui injusta.
É o preço por pregar justiça.

sábado, 4 de outubro de 2008

nonsense

moa, moa
moa bem moído
chia, chia
chia o óleo a ferver
assa, assa
assa com carinho
todo sentimento que havia ali








-Que fazes criança?
-Estou cozinhando, não dá pra ver?
-Mas o que cozinhas?
-A minha boneca, vai querer provar?
-Somente se houver sobremesa.
-Fica satisfeito com pudim de vísceras?
-São vísceras de boa qualidade?
-O que você acha? São dá minha mãe.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

14/05

A garganta arranha. Sede. Ela senta-se na cama, o lençol deliza deixando àmostra sua nudez. Assim que levantasse ele acordaria, ela sabia. Já não tinha vergonha da nudez que ele provocou, que ela cedeu sem pudor. Não há pudor entre eles, não mais. Enquanto havia era doce. Agora são corpos sedentos pela sensação que nenhum outro corpo daria. Ela havia tentado, sabe que ele também. Não iria comparar com drogas, embora igual fosse.
Olhou para os braços por um momento, tantas cicatrizes... Esse é um novo aspecto da relação. Parece doentil a qualquer outro, para eles é um ato de cumplicidade extrema. No momento que ela puxa a lâmina pelo antebraço, de modo não mortal, é observada. Para então observá-lo aproximar-se sorrateiro, subindo a língua pelo corte. A dor não era nada perto do vazio sentido em seu peito, porém a carícia que suga seu sangue a conforta. Talvez eles sejarm merecedores de si.
A garganta arranha. Sede e choro. Levanta-se e vai até a mesa perto da porta, enche o pequeno copo de sakê e toma de uma vez. Desiste do copo e entorna a garrafa. Poucos goles até sentir uma mão em sua cintura. A outra envolve a sua e tira o liquido do contato com a boca, pondo a garrafa sobre a mesa. As costas aquecem-se; é envolvida num abraço. Um sussurro em seu ouvido:

-Seu coração é inalcansável.
-E o seu inexistente.
-Me pergunto se fui eu quem a matou.
-Você apenas encontrou-me em estado de putrefação, agora já não existo.
-Gostaria de ter vindo primeiro.
-Eu não estaria aqui. Ele teve que fazer.
-Preferiria você viva à comigo.
-Então sente amor a mim?
-Talvez o seja.
-Comigo não.
-Eu sei.

As lágrimas que achava ter perdido desabrocharam e cariram sobre as mãos dele. Gostaria de correspondê-lo, mas seu coração despedaçado desaprendera a amar... E ele sabe. Por que dizer esse tipo de coisa que só irá feri-la ainda mais? Se preferia ela viva por que ao menos não evitar machuca-la? Provavelmente porque ela o fere não correspondendo-o... Pode ser que somente machucados permaneçam juntos. Sente ele apertando-a com mais força contra si.

-Essas lágrimas que são por você... Desgosto.
-Também não gosto.

Ele se curva e começar a beijar-lhe o pescoço. As lágrima cessam. Ela os põe de frente. Irão se machucar um pouco mais.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

23:23

Eu digo, repito, grito, recito, xingo e vomito, mas não adianta.

Que o passado passe; insisto em retomá-lo, nem que seja pra dar um cafuné e pô-lo pra dormir.

Como é um bicho inquieto, esse tal passado, depois de acordado demora muito tempo pra cochilar, e vai lá triscar pra ver se o bicho não acorda... Abrindo um berreiro que de tão desafinado nem tem nota e fica abusando mais do que tem que abusar.
E eu já não tenho saco ou paciência, resolvo logo tomar uma providência pra enterrar o defunto de vez, mas quando arranjo o caixão, olhando pra aquelas flores bonitas, me bate um sentimento de despedida e eu revivo o morto outra vez... E isso é tão complicado que até xadrez parece fácil e o final é esse chove-molha, mostrando o pau sem ter matado a cobra.
Uma enrolação que não tem mais fim.


nem me perguntem o que diabos foi isso...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

início de mês

Resoluções normais.
Dieta; perder dez quilos em duas semanas.
Estudar; recuperar o assunto do ano em um mês.

Nada preocupante ou extravagante.
Exceto talvez por dois furos caseiros.
E eu nem sei porque os fiz.
Excentricidade momentânea.

O tempo passa como a luz das estrelas...

Talvez tenha chegado ao fim as auto-análises.

Desculpe-me
Por ter envolvido-te, sem necessidade
E foi um motivo tão tolo, por um sentimento ainda mais

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

primeiro passo a uma teoria

Quem sou?

Quem sou?

Que alma vive no corpo que escreve essas linhas?

Existe alma?

Existe corpo?

As linhas citadas de fato foram escritas?

O que é real?

domingo, 28 de setembro de 2008

a tristeza em viver

Deixo um rastro de amizades rachadas e ressequidas, pelo tempo e uso.
Uma enorme quantidade de algo que serviu à diversão, mas que nunca foi profundo suficientemente para durar.
Pessoas, tantas, vãs...
Memórias, selecionadas e emolduradas, símbolos de alegria artificial.
Sem pergutas no momento, só a certeza do que foi, ou não.
Fatos construídos por um ponto de vista tão maleável quanto sonhos são fragéis.
Dúvidas são a verdade; a mentira é a beleza.
Antes agradar. A si, aos outros. Fingir por felicidade.
A felicidade em fingir.
Seguir a esmo dizendo ter um rumo, confiança cega em nada.
Sustento invisível; força da alma, podre alma.
É o ego. Sempre e sempre.
Continuamente.

sábado, 27 de setembro de 2008

o nome que não se apaga


Um encontro.
Nada mais.
Nem menos.

Conforto em alma.
E foram três abraços.

A despedida que nunca vem.

Cada dia que passa, cada dia que volta.
Nossa unidade fica mais e mais visível.

São empecilhos, desacreditamentos.
Soumos forte.
Soumos firme.

Me ensinaste que o infinito fica em meu peito e a eternidade existe nos sonhos.
O engraçado é que nunca foste professor de fato.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

quatro coisas essenciais

♠ Alguém que ame
Alguém que deseje
Alguém que retribua
♣ Alguém que surpreenda

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

coisas que são o que parecem ser

O difícil não é distinguir o que é ou não.
É tentar se convencer que não passa de imaginação quando é verdade.

O quanto me engano e o quanto tenho de verdade em meus pensamentos?
O quanto me enganam tentando impor verdades em meus pensamentos?

Perguntar e afirmar.
Contestar. Idealizar.

PROVAR

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

um mês e um dia

Hoje irei ao cinematógrafo.

Só.

Hoje irei comer uma barra de chocolate.

Sem dividir.

Hoje irei rir.

Sem compartilhar.

Hoje. Só.

Só hoje?

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Viver usando os que forem úteis

São ciclos.
Repetem-se tanto que parecem infinitos.
Elos aparentemente indestrutíveis.
Inexistentes
...

E não há culpa.
Por ser; não ser.

Com um sopro desfaz-se todo mal-entendido.
Por que esforçar-se tendo a comodidade na mão?




terça-feira, 26 de agosto de 2008

o ontem que é amanhã e depois de amanhã

Uma porção de fragmentos.
Retalhos.
Quebra-cabeça que não se encaixa.
Nada se encaixa.
Pedaços descontínuos.
Separados por ocasiões.
e ela desistiu de tentar encontrar o que falta
e desistiu de esperar pelo nada
ela sorriu e conformou-se
a chuva embalou seu sono sem sonhos

Segundo o dicionário:

Devaneador, adj. e s. m. Que, ou aquele que devaneia; sonhador.

Devanear, v. tr. dir. Imaginar, fantasiar, sonhar; intr. delirar; dizer ou imaginar coisas sem nexo; desvairar; tr. ind. cuidar, pensar. (De de+lat. vanu.)

Devaneio, s. m. Ato de devanear; sonho; fantasia; delírio, divagação; quimera.
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